Mostrando postagens com marcador CIÊNCIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CIÊNCIA. Mostrar todas as postagens

11 de jul. de 2011

Brasileiro inventa canudo que transforma urina em água potável

Enquanto os pilotos de Fórmula 1 brasileiros vêm andando meio devagar, o primo do bicampeão Emerson Fittipaldi está dando o que falar. O jornalista e empresário Ricardo Fittipaldi desenvolveu um canudinho especial capaz de transformar até urina em água potável.
À primeira vista, parece alquimia barata ou balela. Mas não é — tanto que o aparelho foi aprovado tranquilamente em testes no Inmetro e Anvisa, além de ter sido utilizado com sucesso em missões do exército brasileiro para purificação de água de esgoto no Haiti.
A peça, através de três estágios cumulativos de filtragem, consegue remover os mais variados tipos de impurezas, desde resíduos sólidos até micro-organismos. Em alguns segundos, uma porção de água escura e contaminada torna-se incolor, saudável e passível de consumo.
O produto, batizado de H2L, deve chegar às lojas brasileiras em breve, custando cerca de R$ 350. Devido à leveza (pesa apenas 36 gramas) e às dimensões (mede 226 milímetros), o canudo pode ser facilmente transportado e também ser produzido em série — o que leva seu criador a acreditar que a invenção será muito popular no futuro.


Produto em ação, puricando a urina e a transformando em
água própria para consumo. (Fonte da imagem: Revista ALFA)


Segundo Fittipaldi, o canudo também é capaz de conservar os sais minerais na água e pode filtrar até 200 litros de fluídos durante sua vida útil (que dura, em média, 30 a 40 dias). Em tempos em que já falta água em vários países subdesenvolvidos, esse pequeno objeto pode ser de grande valor para ajuda humanitária.

7 de jun. de 2011

Noética - Conheça um pouco dessa nova e antiga ciência

A pesquisadora bla bla bla
 Marilyn Mandala Schlitz, diretora do IONS, afirma não ter tido contato com Dan Brown antes da publicação do livro "O Símbolo Perdido"


Experiências como cura do câncer através da mente e água sendo modificada pela força do pensamento podem soar como charlatanismo ou até como algo impossível. Mas para Katherine Solomon, protagonista feminina de "O Símbolo Perdido", e para Marilyn Mandala Schlitz, diretora do IONS (Institute of Noetic Sciences), nada disso é impossível.

No novo livro de Dan Brown, Katherine Solomon é uma cientista que estuda um tema ainda pouco comum: a noética. Ela pesquisa principalmente a importância da força do pensamento e o potencial que o cérebro humano possui. Em um dos experimentos narrados no livro, ela chega a medir "a alma" de um ex-professor seu, que aceita morrer em seu laboratório em prol da ciência.

Esta experiência não parece estranha aos olhos de Marilyn: "Já fizemos vários experimentos para medir correlações entre a consciência e o corpo. Os estudos sugerem que a mente vai muito além do cérebro. Na realidade, ela tem capacidade para ir além do cérebro de formas que podem ser medidas. Se isto é a mesma coisa que a alma de uma pessoa? É só uma questão de interpretação".

A diretora do IONS acredita que o lançamento de "O Símbolo Perdido" é uma boa forma de divulgar a ciência para as pessoas. "A história é uma maneira de entender as implicações da noética. Muitas descobertas científicas foram impulsionadas pela ficção científica, permitindo que a imaginação atingisse novas possibilidades", disse ela à Livraria da Folha.

A inclusão deste assunto no livro parece ter aguçado a curiosidade das pessoas. Desde o lançamento da obra nos Estados Unidos, o site do IONS registrou um aumento de 1200% no número de acessos e a quantidade de pessoas que se associaram à instituição cresceu em 300% em comparação ao mesmo período do ano passado. E o instituto está aproveitando este interesse das pessoas. No site, foi criada uma página especial com material que explica alguns experimentos e conceitos que aparecem no livro. Veja aqui.

Com o aumento de interesse, também surgiu uma dúvida: Marilyn Schlitz teria inspirado a personagem Katherine? Segundo o site da própria diretora do IONS, especula-se que ela tenha servido como base para a personagem de Dan Brown. "Para mim parece um sonho ter virado personagem de um best-seller. Katherine Solomon é uma cientista com quem eu tenho muitas coisas em comum", diz Marilyn em material divulgado pelo IONS.

"Tirando a sua pele morena, cabelos compridos, família rica e um maníaco perseguidor, há algumas similaridades excepcionais entre nós duas. Tanto meu pai quanto meu irmão eram maçons do 32º grau e usavam um anel maçônico. Assim como a Katherine, minha carreira começou por volta dos 19 anos. Meu mentor era um neurofisiologista que me apresentou a estudos de antigos textos egípcios e a uma visão científica sobre o poder da mente", conta Marilyn em material divulgado à imprensa.

Entretanto, em entrevista à Livraria da Folha, a cientista nega que Katherine seja totalmente inspirada nela. "A personagem é uma mistura de vários cientistas que estudam noética, mas Katherine e o seu trabalho foram claramente baseados nos 30 anos de pesquisa feitos por mim". Ela também afirma não ter tido nenhum tipo de contato com Dan Brown antes de o livro ser publicado.

A diretora do Instituto aponta similaridades entre os trabalhos desenvolvidos pelas duas: "Durante um estudo, descobrimos que praticantes de meditação tem vários benefícios. E quanto mais pratica, melhor são os resultados. Fico feliz em saber que Katherine confirmou nossas pesquisas", afirma.

Quando perguntada sobre os fatos mais incríveis que já presenciou durante sua carreira, ela conta: "Eu já vi muitas coisas impressionantes em todos estes anos de pesquisa -- desde atos de heroísmo de uma jovem tentando deter o tráfico sexual de jovens até líderes espirituais curando pessoas e experiências de visões remotas, nas quais eu vi pessoas descrevendo locais distantes detalhadamente".

Conheça melhor o tema

Para quem saber mais sobre o tema, a diretora do IONS indica a organização brasileira chamada Willis Harman House. Em seu site, a instituição é descrita como "um espaço de encontro, reflexão, informação e inspiração para todos aqueles que desejam contribuir com o processo de transformação global".

Marilyn também recomenda a leitura do seu livro "Living Deeply: The Art and Science of Transformation in Everyday Life" (sem tradução para o português) e o site livingdeeply.org.

Descoberta altera padrões de migração de ancestral do homem

Foto: AP Photo Ampliar

Escavações na Georgia sugerem que antigos humanos tenham vivido na Eurásia antes do que se acreditava
A dispersão pelo mundo dos hominídeos pelo mundo foi sempre descrita como ocorrida a partir da África, porém novas provas sugerem que as migrações dos ancestrais dos homem podem ter ocorrido como vias de mão dupla.
Foi o que demonstrou um longo estudo realizado em um sítio arqueológico nas montanhas entre a Europa e a Ásia, que foi ocupado pelos primeiros humanos há 1,85 milhões de anos – muito antes dos 1,7 milhões de anos que havia sido estipulado anteriormente. O Homo erectus era descrito como tendo habitado o sítio arqueológico de Dmanisi, na república da Geórgia, em um período posterior ao relatado no estudo publicado hoje no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences.

A descoberta de ferramentas de pedra e materiais de períodos mais antigos lançou a possibilidade de que Homo erectus ter se desenvolvido na Eurásia e voltado posteriormente para a África. Os pesquisadores afirmam, no entanto que mais estudos precisam ser feitos.

“As provas encontradas na Eurásia demonstraram ser mais antigas e de populações mais primitivas”, disse Reid Ferring da Universidade do Norte do Texas.

“A recente descoberta mostra que Dmanisi foi ocupada ao mesmo tempo, senão antes, da primeira aparição do Homo erectus no leste da África”, afirmou o estudo dirigido por Ferring e David Lordkipanidze do Museu Nacional da Geórgia. Nas escavações, eles encontraram mais de 100 artefatos de pedras em camadas mais profundas do sítio arqueológico. Previamente, ossos fossilizados de um período posterior foram encontrados no mesmo sítio arqueológico.

A descoberta mostrou que a região do Cáucaso foi habitada continuamente, e não apenas por colônias transitórias. “Nós não sabemos ainda como era a aparência dos primeiros ocupantes, mas a conclusão é que eles deveriam ser similares, ou possivelmente mais primitivos que estes representados por fósseis encontrados em Dmanisi”, disse Ferring.

Os ocupantes de Dmanisi “são os primeiros representantes do gênero Homo fora da África e fazem parte da população mais primitiva da espécie Homo erectus conhecida até agora”, afirmou Lordkipanidze.

Os antigos humanos de Dmanisi “devem ser os ancestrais de todas as outras populações de Homo erectus que vieram depois, o que sugere que a Eurásia é a origem do Homo erectus”, disse Lordkipanidze.

Segunda teoria
No entanto, há também outra teoria: o Homo erectus é originário da África e o grupo de Dmanisi devem representar a primeira migração para fora da África. Wil Roebroeks, professor de arqueologia da Universidade de Leiden, na Holanda, afirmou que a descoberta sugere uma população mantida na região e que com sucesso se adaptou a temperatura e ao ambiente do sul do Cáucaso há cerca de 1,8 milhões de anos.

Ele chama isto de “uma observação importante para o cenário que temos sobre as primeiras colonizações da Eurásia”. Roebroeks sugeriu em um artigo de 2005 que a Ásia deve ser o núcleo de onde o Homo erectus surgiu, evoluindo de uma espécie pré-humana ainda desconhecida.

No entanto, ele enfatizou que é uma hipótese que será testada em estudo futuros. “Possível não é a mesma coisa que observado, mas o novo estudo de Dmanisi nos forçaram a dar uma olhada em algumas das nossas suposições mais básicas”, disse Roebroeks. 
O Homo erectus era mais pesado e mais robusto que os humanos modernos. Ele viveu há cerca de 1,8 milhões e 0,3 milhão de anos, sendo a primeira espécie a se dispersar da África. Sua existência na Terra tem sobreposição com o Homo habilis .

O diretor do programa de origens humanas do Museu de História Natural Smithsonian, Richard Potts, não concorda com a teoria de Ferring e Lordkipanidze. “A nova evidencia de Dmanisi consite em ferramentas de pedra, não há ossos fossilizados. Então não sabemos realmente como eles eram há 1,85 milhões e 1,77 milhões de anos” disse. “Não podemos saber isto com certeza até que fósseis apareçam das escavações desta camada mais antiga”.
Michael D. Petraglia, co-diretor do Centro Asiático de Arqueologia, Arte e Cultura da Universidade de Oxford, Na Inglaterra, disse que as descobertas mostram que antigos humanos estavam presentes na Eurásia entre 1,85 milhões e 1,78 milhões de anos atrás.

“A ferramenta de pedra representa o caso mais antigo e melhor documentado da presença de humanos antigos na Ásia. Isto quer dizer que formas antigas de humanos provavelmente partiram da África há 1,85 milhões de anos, ou antes mesmo, colonizando novas regiões do mundo pela primeira vez”, disse. Porém Petraglia disse não levar tanta fé na teoria dos autores de uma migração Eurásia-África.

3 de mai. de 2011

É possível apagar memórias?

Caracóis perdem sensibilidade com a inibição da proteína quinase

A inibição da proteína eliminou uma memória no caracol
 
A inibição da proteína eliminou uma memória no caracol
Cientistas do UCLA, nos EUA, acabam de descobrir uma proteína que, ao ser desactivada, tem a capacidade de enfraquecer memórias. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Neuroscience.
No futuro, “acho que vamos ser capazes de alterar as memórias para reduzir o trauma nos nossos cérebros”, afirmou o investigador principal, David Glanzman, professor de biologia integrativa e fisiologia e de neurobiologia no UCLA.

David Glanzman e colegas explicam que através da proteína quinase eliminaram, ou que pelo menos enfraqueceram substancialmente, as memórias de longo prazo num caracol marinho chamado Aplysia.

“Quase todos os processos que estão envolvidos na memória do caracol também têm sido envolvidos na memória do cérebro de mamíferos”, afirmou David Glanzman, que acrescentou que o cérebro humano é demasiado complicado para ser estudado directamente.

Experiência em Aplysias

O cientista decidiu estudar a proteína quinase nos caracóis marinhos, que têm uma forma simples de aprender e um sistema nervoso também simples, para compreender como essa proteína mantém as memórias de longo prazo.
Assim, com os colegas e o investigador principal, Kaycey Pearce, estudou um tipo de memória simples: a sensibilidade. Quando os caracóis marinhos são atacados por um predador, o ataque aumenta a sua sensibilidade aos estímulos ambientais. Trata-se de uma “forma fundamental de aprendizagem que é necessária para a sobrevivência e é muito robusta no caracol marinho”, refere David Glanzman. "A vantagem no Aplysia é que sabemos onde estão os neurónios que produzem este reflexo no sistema nervoso”, sublinhou.

Os cientistas removeram os neurónios-chave do sistema nervoso do caracol e colocaram-nos numa placa de Petri, recriando um ‘circuito’ de dois neurónios, um sensorial e um motor (que produz o reflexo).

Segundo David Glanzman, “o objectivo é reduzir o problema para que possamos estudar a nível biológico de que forma a proteína quinase mantém memórias a longo prazo”.


David Glanzman com um AplysiaDavid Glanzman com um Aplysia
 


Conexão entre neurónios


Com a experiência, os investigadores conseguiram apagar uma memória de longo prazo, tanto no caracol em si mesmo como no circuito na placa de Petri. Com o feito, são os primeiros cientistas a demonstrar que a memória a longo prazo pode ser apagada numa conexão entre apenas dois neurónios.

“Descobrimos que se inibirmos a proteína quinase no caracol marinho, apagamos a memória de sensibilidade a longo prazo”, afirmou David Glanzman.

Os cientistas administraram choques eléctricos às caudas dos caracóis. Em seguida, quando gentilmente tocaram no sifão de um caracol (um órgão na região do meio usado na respiração), o animal respondeu com uma contracção reflexa que durou 50 segundos. Uma semana depois, quando os cientistas voltaram a tocar no sifão, o reflexo ainda durou 30 segundos ou mais, em vez de apenas um segundo ou dois que o reflexo normalmente dura sem a formação de choque. Isto constituiu uma memória de longo prazo.

Depois, uma vez que o caracol marinho formou uma memória de longo prazo, os cientistas injectaram um inibidor da proteína quinase e 24 horas depois tocaram no sifão; o caracol marinho respondeu como se nunca tivesse recebido os choques na cauda, com uma breve contracção.

Os cientistas concluíram que a aprendizagem acontece devido a alterações nas conexões sinápticas, algumas das quais fortalecem e enfraquecem, no cérebro. Deste modo, o novo estudo abre a porta para compreender como as mudanças nas conexões sinápticas são mantidas e qual o papel que a proteína quinase desempenha na manutenção da memória.

 

Estudo indica que memória dos macacos é mais semelhante à humana do que se pensava

Investigadores acreditam que capacidade de recordar advém de antepassado comum



 
Macacos podem fazer utilização limitada da sua memória, dizem os investigadores


Os processos de reconhecimento e de memória não são exclusivos dos humanos, de acordo com um estudo americano realizado com macacos que demonstra que estes primatas são capazes de conhecer figuras já vistas e, inclusivamente, recriar objectos de memória.

Quando nos deparamos com algo que já está alojado no nosso cérebro, podemos recuperá-lo como recordação, no caso da ausência desse elemento, ou reconhecê-lo ao vê-lo. Além disso, há duas formas de reconhecimento: existem coisas que nos podem parecer familiares, sem que sejamos capazes de identificar exactamente o por quê, e outras que conseguimos recordar com precisão e até sabemos em que circunstâncias as tinhamos visto anteriormente.

Com os macacos sucede-se exactamente o mesmo, revela o estudo publicado na "Current Biology”, em que primatas e humanos obtiveram resultados semelhantes em testes de memória sobre estas questões.
Uma equipa de investigadores da Universidade de Emory, nos EUA, liderada por Benjamin M. Basile, recorreu a cinco macacos que tiveram de fazer uma série de provas como ordenar certos objectos de acordo com um desenho que tinham visto anteriormente. Quando acertavam, recebiam comida como recompensa, o que não acontecia quando erravam.

Após a conclusão de todos os testes, os investigadores comprovaram que os macacos recolocaram correctamente os objectos e com mais precisão do que era esperado, tendo em conta dados estatísticos. Assim sendo, não fizeram os testes ao acaso, pelo que os cientistas acreditam que os primatas conseguem recordar-se do que vêem.

Também foi observado que os animais transferiam as suas habilidades mnemotécnicas a figuras completamente alheias à formação inicial. A fim de provar se os resultados da experiência obedeciam a um comportamento aprendido, os investigadores fizeram novos testes com os macacos, apresentando-lhes novas figuras. Mais uma vez, os resultados repretiram-se.

Depois desta descoberta, os especialistas da Universidade de Emory propõem que a capacidade de memória não depende da linguagem, mas que pode ter estado presente num antepassado comum a estes primatas e aos humanos há mais de 30 milhões de anos.

A capacidade de memória é necessária para planificar e imaginar e pode aumentar o comportamento social e outras capacidades cognitivas. Os investigadores especulam que os macacos selvagens talvez se recordem do aspecto de outros primatas que conhecem ou se lembrem da comida de que mais gostam, entre outros aspectos. No entanto, estes especialistas admitem também a possibilidade de que, na prática, os macacos façam uma utilização limitada das suas memórias.